O preço médio do óleo diesel nos postos brasileiros registrou uma forte arrancada em março de 2026, impulsionado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Segundo levantamento recente da TruckPag, o combustível saltou de R$ 5,74 no final de fevereiro para uma média nacional de R$ 7,22 nesta semana, o que representa uma valorização de aproximadamente 25% em menos de um mês. O movimento reflete o nervosismo do mercado internacional, que viu o barril do petróleo disparar após o fechamento de rotas estratégicas e ataques a refinarias na região do Golfo Pérsico.

A disparada atinge os estados de forma heterogênea, mas com índices alarmantes em todas as regiões. O Tocantins liderou as altas no Norte com um avanço de 37,1%, enquanto no Sul, Santa Catarina registrou o maior aumento, chegando a 29,9%. Em São Paulo, o combustível subiu 27%, colocando o estado no topo do ranking de reajustes no Sudeste. Esses números superam as projeções iniciais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cuja metodologia de coleta semanal acaba apresentando um leve atraso em relação à realidade imediata das bombas, onde o impacto tem sido diário.

Embora o governo federal tenha anunciado medidas de contenção, como a redução de tributos e subsídios na casa dos R$ 0,32 por litro, o alívio ainda não chegou ao consumidor final. Especialistas explicam que a dependência brasileira de diesel importado — que supre cerca de 30% da demanda nacional — torna o país extremamente vulnerável às flutuações do dólar e da commodity no exterior. Com 94% dos postos pesquisados localizados em rodovias, o setor de transporte de cargas é o primeiro a sentir o golpe, já projetando reajustes imediatos no valor dos fretes.

O cenário gera um alerta para a inflação oficial, uma vez que o diesel é o principal insumo da cadeia produtiva e logística do Brasil. Entidades do setor de transporte e logística já estimam que o custo do frete possa subir até 10% nos próximos dias para compensar os gastos operacionais. Se o conflito internacional persistir e o preço do petróleo não recuar, o efeito cascata sobre os preços de alimentos e produtos básicos nos supermercados será inevitável, pressionando ainda mais o poder de compra da população nas próximas semanas.